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Destaque, Meu lugar, Viver em Condomínio | 09/07/2026
Instalação de carregadores para carro elétrico em condomínio: o que síndicos e moradores precisam saber
Escrito por Sperinde
Os modelos de automóveis eletrificados vêm ganhando cada vez mais espaço nas ruas brasileiras. No primeiro semestre de 2026, foram emplacados mais de 90 mil veículos 100% elétricos. Esse número representa um aumento expressivo de 196% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Com isso, cresce também a procura pela instalação de carregadores em condomínios residenciais, uma demanda que traz dúvidas tanto para moradores quanto para síndicos.
A tendência é que esse movimento se intensifique nos próximos anos, com mais pessoas adotando alternativas de mobilidade elétrica. Por isso, cada vez mais condomínios estão avaliando sua infraestrutura e discutindo regras para atender essa nova necessidade.
Mas afinal, o condomínio éobrigado a permitir a instalação? Quem deve arcar com os custos? Como fica a cobrança da energia elétrica consumida? A infraestrutura dos edifícios está preparada para essa nova realidade?
Neste artigo, reunimos os principais pontos que síndicos e condôminos precisam conhecer sobre a instalação de carregadores para veículos elétricos em condomínios.
Já existe uma regulamentação para os carregadores?
O projeto de lei 158/2025, que tem como objetivo regulamentar a instalação de ponto individual de recarga em condomínios no âmbito nacional, ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados.
No Rio Grande do Sul, a questão também está em processo de regulamentação. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado (CBMRS) abriu uma consulta pública sobre a minuta da Resolução Técnica CBMRS nº 25 – Parte 1, que estabelecerá critérios de segurança contra incêndio para a instalação e operação desses sistemas.
Embora a norma ainda não esteja em vigor, sua futura publicação poderá exigir adequações técnicas e novos procedimentos para condomínios. Essas possíveis mudanças reforçam a importância de que síndicos e administradoras acompanhem o assunto e sua evolução normativa e, assim, planejem as instalações de forma segura e em conformidade com a legislação aplicável.
Lembrando que a regulamentação não se restringe a carros elétricos, mas abrange também outros tipos de veículos e equipamentos de mobilidade elétrica que dependem de recarga, como motocicletas, bicicletas e patinetes elétricos.
Como funciona o pedido para instalação de carregador elétrico
Mesmo sem uma legislação nacional ou estadual específica, já existem normas técnicas e diretrizes de segurança que precisam ser observadas para garantir instalações adequadas e seguras.
O processo deve começar com uma solicitação formal do condômino ao síndico. O pedido deve estar acompanhado de um projeto elaborado por um profissional habilitado, contendo todas as especificações técnicas da instalação e da respectiva ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).
Após o recebimento da documentação, o condomínio deverá analisar aspectos como: a capacidade da infraestrutura elétrica existente, os impactos sobre as áreas comuns, a segurança das instalações, a forma de medição do consumo e a compatibilidade com as normas técnicas vigentes.
Dependendo das regras previstas na convenção condominial, no regimento interno ou em deliberações anteriores, a matéria também poderá exigir aprovação em assembleia. É importante destacar que nenhuma instalação deve ser realizada sem autorização prévia do condomínio e sem a devida avaliação técnica.
O condomínio pode impedir a instalação?
Uma das dúvidas mais comuns é se o condomínio pode simplesmente negar o pedido do morador. Na prática, a resposta é não.
“O condomínio não pode negar a instalação de forma arbitrária. No entanto, também não é obrigado a aprovar qualquer pedido sem análise técnica”, afirma Fabiano Parrella, Diretor de Condomínios da Sperinde.
De acordo com o diretor, a autorização poderá ser condicionada ou até mesmo negada quando houver situações como:
Insuficiência da capacidade elétrica da edificação; Riscos à segurança das instalações; Ausência de projeto técnico; Descumprimento das normas aplicáveis; Intervenções incompatíveis com a estrutura do condomínio; Impossibilidade de individualização do consumo.
Por outro lado, quando os requisitos técnicos são atendidos e a segurança da edificação é preservada, a tendência é que o condomínio autorize a instalação, estabelecendo critérios que possam ser aplicados igualmente a todos os moradores.
Quem fica responsável pelos custos de instalação do carregador
Fabiano Parrella explica que, em geral, todos os custos relacionados à instalação do carregador são de responsabilidade do condômino interessado e isso inclui: a elaboração do projeto; a aquisição do carregador; os materiais; a mão de obra; os dispositivos de proteção; as adequações necessárias para atendimento exclusivo da unidade; a manutenção futura do equipamento.
Existe, porém, uma exceção. Quando o condomínio decide realizar uma modernização coletiva da infraestrutura elétrica para atender diversos moradores, a obra e sua forma de custeio devem ser discutidas e aprovadas em assembleia.
Consumo de energia e cobrança individualizada
Outro ponto que gera dúvidas é o consumo de energia elétrica utilizado no carregamento dos veículos. A recomendação do diretor da Sperinde é que esse consumo seja totalmente individualizado.
Atualmente existem carregadores inteligentes e sistemas de medição capazes de registrar exatamente o que foi consumido por cada usuário, permitindo que o condomínio realize a cobrança individual ou receba o ressarcimento correspondente.
“O rateio entre todos os moradores não é considerado uma boa prática, pois faria com que condôminos que não possuem veículos elétricos pagassem por uma despesa particular de outros moradores, contrariando o princípio da equidade”, afirma Parrella.
Por isso, a individualização do consumo é considerada a solução mais justa e transparente para todas as partes.
Normas e exigências de segurança para carregadores elétricos
Embora ainda não exista uma legislação específica sobre o tema, a instalação de carregadores em condomínios deve seguir normas técnicas e diretrizes nacionais de segurança. Entre as principais referências estão:
Portaria nº 029/2025 da LIGABOM
NBR 5410
NBR 17019
NBR IEC 61851-1 (modos 3 e 4)
Essas diretrizes exigem, entre outros pontos:
Instalação por profissional habilitado;
Sistemas adequados de proteção elétrica;
Pontos de desligamento manual sinalizados;
Medidas de prevenção e combate a incêndios;
Avaliação dos riscos da edificação;
Adequações técnicas quando necessárias.
Observar essas exigências é fundamental para garantir a segurança dos moradores, da edificação e dos equipamentos instalados.
Os condomínios estão preparados para essa nova realidade?
Grande parte dos empreendimentos brasileiros foi construída em uma época em que não existia a necessidade de carregar veículos elétricos nas garagens. Por isso, antes de autorizar instalações individuais, é recomendável que o condomínio realize um estudo da capacidade elétrica da edificação.
Em muitos casos, será necessário planejar melhorias ou modernizações graduais da infraestrutura para atender ao aumento da demanda de forma segura. Além de evitar sobrecargas e problemas operacionais, esse planejamento permite que futuras instalações sejam realizadas de maneira mais organizada e eficiente.
O papel do síndico nesses casos
Ao receber um pedido para instalação de carregador elétrico, o síndico deve atuar com cautela e responsabilidade. Listamos no checklist abaixo as principais medidas recomendadas:
“Esses procedimentos ajudam a proteger o condomínio, os moradores e o próprio síndico, reduzindo riscos técnicos, operacionais e jurídicos”, enfatiza Fabiano Parrella.
Como a Sperinde auxilia condomínios nesse processo
Diante de uma demanda cada vez mais frequente, contar com orientação especializada faz toda a diferença para que a instalação dos carregadores para veículos elétricos ocorra de forma tranquila e adequada.
A Sperinde auxilia síndicos e condomínios em todas as etapas relacionadas a esse processo, oferecendo suporte quanto à documentação necessária, análise da convenção e do regimento interno, procedimentos assembleares, responsabilidades dos envolvidos e boas práticas para individualização do consumo.
Também orientamos sobre a necessidade de revisão das coberturas do seguroda edificação, contribuindo para que as decisões sejam tomadas com segurança, transparência e respaldo técnico.
Condomínios preparados serão mais valorizados
A mobilidade elétrica deixou de ser uma tendência distante para se tornar uma realidade cada vez mais presente nos condomínios. Para o Diretor da Sperinde, “empreendimentos que se preparam para essa transformação serão mais valorizados e estarão mais seguros e aptos a atender às necessidades dos seus moradores”.
No entanto, a instalação dos carregadores para veículos elétricos exige planejamento, análise técnica e a observância das normas aplicáveis. Quando conduzido de forma adequada, o processo permite conciliar o direito do morador interessado com a segurança e os interesses de toda a coletividade.
Se o seu condomínio recebeu solicitações para a instalação de carregadores elétricos ou precisa de orientação sobre infraestrutura, assembleias, documentação e gestão condominial, entre em contato com a equipe da Sperinde. Oferecemos suporte e soluções que contribuem para uma administração mais eficiente e segura.